The Sekhmet.

21.Amor além da morte.

Posted in Sekhmet by Nathalia on 12/09/2009

Já aproveitando o tema do post anterior, resolvi escrever hoje sobre um romance muito famoso na literatura, por ser real e apesar de triste (como todo romance), é uma bela história de amor, que vai além da separação da morte: O romance de Inês de Castro e D. Pedro I.

Inês de Castro era filha natural de Pedro Fernandes de Castro, mordomo-mor do rei Afonso XI de Castela, e de uma dama portuguesa, Aldonça Lourenço de Valadares. O seu pai, neto por via ilegítima de Sancho IV de Castela, era um dos fidalgos mais poderosos do reino de Castela.

Em 1339 o príncipe Pedro, herdeiro do trono português casou-se com Constança Manuel, filha de João Manuel de Castela. Mas seria uma das aias de Constança, D. Inês de Castro, por quem D. Pedro viria a apaixonar-se. Este romance começou a ser comentado e mal aceito na corte e pelo próprio povo. Assim, em 1344 o rei D. Afonso IV mandou exilar Inês no castelo de Alburquerque, na fronteira castelhana. No entanto, a distância não teria apagado o amor entre Pedro e Inês que, segundo a lenda, continuavam a corresponder-se em segredo.

Em Outubro do ano seguinte, Constança morreu ao dar à luz o futuro rei Fernando I de Portugal. Viúvo, Pedro mandou Inês regressar do exílio e os dois foram viver juntos, o que provocou grande escândalo na corte, para enorme desgosto de El-Rei seu pai. Começou então uma desavença entre o rei e o infante.

D. Afonso IV tentou remediar a situação casando novamente o seu filho com uma dama de sangue real, mas Pedro rejeitou o casamento, alegando que sentia ainda muito a perda de sua mulher Constança e que não conseguia ainda pensar em casar-se novamente. No entanto, fruto dos seus amores, Inês foi teve filhos de D. Pedro: Afonso em 1346 (que morreu pouco depois de nascer), João em 1349, Dinis em 1354 e Beatriz em 1347. O nascimento destes veio agudizar a situação: D. Afonso IV sentira-se em risco de ser preterido na sucessão ao trono devido aos filhos bastardos do seu pai. Agora circulavam boatos de que os Castros conspiravam para assassinar o infante D. Fernando, herdeiro de D. Pedro, para o trono português passar para os filhos de Inês de Castro.

Depois de alguns anos no norte de Portugal, Pedro e Inês tinham regressado a Coimbra e se instalado no Paço de Santa Clara. Mandado construir pela avó de Pedro. Em 7 de Janeiro de 1355, o rei enviou Pêro Coelho, Álvaro Gonçalves e Diogo Lopes Pacheco para matarem Inês de Castro em Santa Clara. Segundo a lenda, as lágrimas derramadas no rio Mondego pela morte de Inês teriam criado a Fonte dos Amores da Quinta das Lágrimas, e algumas algas avermelhadas que ali crescem seriam o seu sangue derramado.
A morte de Inês provocou a revolta de D. Pedro contra D. Afonso IV. Após meses de conflito, a rainha D. Beatriz conseguiu intervir para selar uma paz em Agosto de 1355.

Pedro tornou-se o oitavo rei de Portugal em 1357. Em Junho de 1360 fez a declaração de Cantanhede, legitimando os filhos ao afirmar que se tinha casado secretamente com Inês, em 1354, (em dia que não se lembrava). As palavras do rei e do seu capelão foram as únicas provas desse casamento.

De seguida perseguiu os assassinos de Inês, que tinham fugido para o reino de Castela. Pêro Coelho e Álvaro Gonçalves foram apanhados e executados (segundo a lenda, o rei mandou arrancar o coração de um pelo peito e o do outro pelas costas, assistindo à execução enquanto se banqueteava). Diogo Lopes Pacheco conseguiu escapar para a França e posteriormente seria perdoado pelo rei no seu leito de morte.

Por fim, D. Pedro desenterrou sua amada e promoveu a tétrica cerimônia da coroação e do beija mão à rainha morta. Mandou construir os dois esplêndidos túmulos de D. Pedro I e de Inês de Castro no mosteiro de Alcobaça, para onde transladou o corpo da sua amada Inês. Juntou-se a ela em 1367, e os restos de ambos jazem juntos até hoje, frente a frente, para que, segundo a lenda, possam olhar-se nos olhos quando despertarem no dia do juízo final.

Espero que tenham gostado da história,
Mais uma vez, obrigada pelas visitas.
Beijos galëre ;*

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